Ferrovia Centro-Atlântica recebe novas locomotivas e amplia logística em MG
A malha ferroviária que atravessa Minas Gerais ganhou um novo impulso com a incorporação de oito locomotivas à Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). A entrega dos equipamentos ocorreu nesta segunda-feira (9), no município de Sete Lagoas, e foi acompanhada pelo secretário Nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro. A iniciativa representa um avanço relevante para a logística nacional e reforça o papel estratégico do modal ferroviário no escoamento da produção brasileira.
As novas locomotivas passam a integrar a frota operada pela concessionária VLI, responsável pela FCA, uma das principais ferrovias do país. O investimento, estimado em R$ 200 milhões, faz parte de um plano mais amplo voltado à modernização do setor ferroviário e ao aumento da capacidade de transporte de cargas em corredores logísticos essenciais, especialmente no Sudeste e no Centro-Oeste.
Tecnologia e eficiência na Ferrovia Centro-Atlântica
Os equipamentos entregues são considerados de alta performance e incorporam tecnologias que permitem maior controle operacional. Entre os recursos disponíveis está o mapeamento da geometria da via férrea, ferramenta que contribui para a eficiência do tráfego e para a redução de falhas operacionais. Além disso, as locomotivas oferecem melhores condições de trabalho aos operadores, com ganhos em conforto e segurança.
De acordo com o secretário Leonardo Ribeiro, o investimento demonstra o compromisso do governo federal com a modernização da infraestrutura ferroviária. Segundo ele, a adoção de tecnologias avançadas é fundamental para tornar o transporte ferroviário mais competitivo, sustentável e integrado à matriz logística nacional.
A Ferrovia Centro-Atlântica é considerada um corredor logístico vital para a economia brasileira. Por seus trilhos circulam cargas como soja, milho, farelo de soja, açúcar, fertilizantes, derivados de petróleo, além de produtos siderúrgicos e minerais. As novas locomotivas, fabricadas no Brasil pela empresa Progress Rail, serão utilizadas no transporte de cargas gerais, ampliando a capacidade operacional da ferrovia.
Investimentos contínuos e renovação da concessão
Nos últimos anos, a VLI tem intensificado os aportes em Minas Gerais. Somente nos últimos três anos, a companhia adquiriu 27 locomotivas no estado, com investimentos que somam cerca de R$ 600 milhões. Esse movimento, segundo a empresa, integra uma estratégia conjunta com o Ministério dos Transportes, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e outros órgãos públicos para viabilizar a renovação antecipada da concessão da FCA.
O CEO da VLI, Fábio Marchiori, destaca que o processo de renovação está associado a um projeto de grande escala. A expectativa é que, uma vez concluído, o novo contrato represente o maior volume de investimentos já registrado em concessões ferroviárias no Brasil, consolidando a FCA como eixo estruturante da logística nacional.
Política Nacional de Concessões Ferroviárias
O reforço da frota da FCA ocorre em um contexto mais amplo de expansão do modal ferroviário no país. Em novembro de 2025, o Ministério dos Transportes lançou a Política Nacional de Concessões Ferroviárias, que estabelece diretrizes para planejamento, governança e sustentabilidade do setor. O modelo prevê a combinação de recursos públicos e privados como forma de viabilizar novos projetos.
A política resultou na estruturação da maior carteira de concessões ferroviárias da história recente do Brasil. Estão previstos oito leilões que abrangem mais de 9 mil quilômetros de ferrovias, com expectativa de atrair cerca de R$ 140 bilhões em investimentos iniciais. Ao longo da vigência dos contratos, o potencial de aportes pode chegar a R$ 600 bilhões.
Segundo Leonardo Ribeiro, a estratégia adotada pelo governo federal busca não apenas ampliar a infraestrutura, mas também gerar efeitos econômicos duradouros. O fortalecimento do setor ferroviário é visto como vetor de geração de empregos, aumento da produtividade, inovação tecnológica e ganho de competitividade para a economia brasileira.
Projetos estruturantes em andamento
Entre os principais projetos previstos no plano ferroviário nacional estão o Anel Ferroviário do Sudeste (EF-118), a Ferrogrão, o Corredor Leste-Oeste, a Malha Oeste e os corredores da Malha Sul. Essas iniciativas visam integrar regiões produtoras aos portos e centros consumidores, reduzindo custos logísticos e emissões de gases poluentes.

Outro destaque é a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), que em 2025 ultrapassou 35% de execução. A ferrovia ligará Goiás a Mato Grosso e será conectada à Ferrovia Norte-Sul, formando um eixo estratégico para o escoamento da produção agrícola. No Centro-Oeste, também avançam ações para a operação plena da Norte-Sul e da própria FCA, além de estudos para novas ligações ferroviárias em Goiás.
Impactos econômicos e perspectivas para Minas Gerais
A renovação antecipada da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica prevê investimentos de R$ 13,82 bilhões em capital produtivo. O impacto econômico estimado inclui a geração de mais de 200 mil empregos diretos e indiretos, além de efeitos positivos sobre a renda e o desenvolvimento regional. A FCA atravessa oito estados e mais de 250 municípios, o que amplia o alcance dos benefícios.
A ANTT avalia que políticas públicas mais claras e previsíveis têm sido decisivas para destravar investimentos no setor. O novo contrato da FCA, com vigência prevista de 30 anos, deve entrar em vigor antes do término do atual, previsto para agosto de 2026. A expectativa é garantir a continuidade das operações, a modernização da infraestrutura e o fortalecimento de um dos principais corredores logísticos do país.
Com a chegada das novas locomotivas e o avanço dos projetos estruturantes, a Ferrovia Centro-Atlântica reafirma seu papel central na logística brasileira, especialmente em Minas Gerais, estado que se consolida como ponto estratégico para o desenvolvimento do transporte ferroviário nacional.
