Greyhound: Conheça a história da lendária empresa de ônibus dos EUA
Com certeza você já viu um ônibus da Greyhound em algum filme ou série americano. Até parece que a empresa que tem o cachorro da raça de mesmo nome como símbolo é a única empresa de ônibus dos Estados Unidos, pois só dá ela nas telas.
A empresa nasceu no estado de Minnesota, meio-oeste dos Estados Unidos, no ano de 1914. Foi fundada por Carl Eric Wickman, um imigrante sueco, na cidade de Hibbing. O ex-minerador cobrava 15 centavos por um dos lugares de seu carro.
Pouco tempo depois Carl já tinha um veículo agora com 8 lugares, fazendo a trajeto entre Hibbing e Alice, local de mineração. Em 1915 se associou a outro empresário que fazia uma linha entre Hibbing e Duluth, outra cidade do estado de Minnesota.
Após 4 anos a companhia já contava com 18 ônibus, expandido seus serviços. O icônico cachorro logotipo só iria aparecer anos mais tarde, em 1929, por causa do apelido dos ônibus recém-adquiridos. O apelido pegou e a empresa adotou o nome Greyhound.
Segundo a história contada pelos antigos funcionários, o motorista Ed Stone quando viu o reflexo do novo ônibus passando achou parecido com um cachorro da raça Greyhound correndo, daí o apelido que virou nome oficial.

Nos anos seguintes a empresa continuou sua expansão através de aquisições de empresas concorrentes, como a Gray Line Worldwide e a Yelloway-Pioneer System. Já no ano de 1930 a Greyhound tinha mais de 100 ônibus.
A Greyhound em 1941 chegou ao Canadá, através da Greyhound Canada. Entre 1937 e 1945 a empresa construiu inúmeros terminais próprios em várias cidades americanas, ao mesmo tempo que ia adquirindo novas linhas, se consolidando como uma empresa transnacional.

Em 1939 a Greyhound já tinha mais de 10 mil funcionários e 4.750 terminais rodoviários próprios. Porém com o início da construção das grandes rodovias interestaduais americanas em 1956, a Greyhound enfrentou um declínio, com o aumento das viagens em carros próprios em detrimento aos ônibus.
A expansão do setor aéreo e o barateamento das viagens de avião também foram nos anos 1960 também afetou seriamente o negócio de transporte rodoviário. Uma viagem entre Chicago e Nova Iorque que de ônibus levava mais de 20 horas, de avião não passava de duas horas.
Freedom Rides
A Greyhound fez história não só por ser a principal empresa de ônibus dos Estados Unidos da América, mas também por ter feito parte, mesmo que indiretamente, do movimento de luta pelos Direitos Civis naquele país.
Contextualizando, nos Estados Unidos desde o fim da Guerra de Secessão (ou Guerra Civil Americana), no sul do país, havia leis de segregação racial. Mesmo nos transportes havia segregação. Brancos e negros não podiam se sentar juntos, ficando destinado aos negros geralmente a parte de trás dos veículos.
No ano de 1955, o comitê responsável pelo transporte interestadual de passageiros decidiu que empresas de ônibus que realizam serviços interestaduais não poderiam segregar passageiros por motivos raciais. Mas a regra não era respeitada, principalmente em viagens pelo sul dos Estados Unidos.
Em 1961, ativistas dos direitos civis iniciaram um protesto chamado de Freedom Rides, ou viagens pela liberdade, em tradução livre. O objetivo era mostrar testar a dessegregação do sistema.
Mas eles não pararam, durante anos esses corajosos ativistas cruzaram o sul do país em ônibus da Greyhound, desafiando não apenas os extremistas, mas até mesmo certas autoridades locais, que não aceitavam o fim da segregação racial.
Em uma viagem entre a capital, Washington, e Nova Orleans, na Luisiana, um ônibus da Greyhound foi alvo de um atentado contra os ‘viajantes pela liberdade’. Os pneus do ônibus foram cortados com facas, e quilômetros à frente uma turma parou e incendiou o ônibus, tudo para evitar que os Freedom Riders chegassem ao destino.

O terminal da Greyhound de Anniston, Alabama, foi declarado monumento nacional dos viajantes da liberdade, pelo presidente Barack Obama, em 2017.
Falência e renascimento
Em 1983, com uma frota de mais de 3 mil veículos e dominando 60% das viagens de ônibus dos Estados Unidos, a Greyhound sofreu um duro golpe. A greve geral dos motoristas. A greve durou mais de um mês e não foi a única. Nos anos 1990 vieram outras e a primeira falência.
Com a entrada de novos concorrentes e as viagens aéreas cada vez mais baratas a Greyhound começou a vender passagens a US$ 10 dólares. Mas não foi o suficiente para evitar a sua primeira falência. A década de 90 foi um período difícil para a empresa, que tentava se reerguer, mas enfrentava além da concorrência as autoridades que investigavam a empresa por práticas anticoncorrenciais.
Na década seguinte não foi diferente e o aumento de empresas que ofereciam passagens por até US$ 1 dólar ameaçavam ainda mais a já decadente Greyhound. Outro pedido de falência foi feito pela empresa em 2001. Em 2007 um grupo escocês comprou a Landlaw International, empresa responsável pela viação, por US$ 3,6 bilhões de dólares.
Outro problema enfrentado pela companhia foi a acusação do departamento de Alfândega e proteção de fronteiras dos Estados Unidos, de que a Greyhound transportava imigrantes ilegais de cidades na fronteira com o México para outros estados do país. A empresa concordou em pagar US$ 2,2 milhões em compensações ao governo para encerrar o caso, além de permitir que agentes infiltrados da polícia de fronteiras viajassem em seus ônibus, com a finalidade de identificar e prender os imigrantes sem documentos.
Recentemente, em 2021, a Greyhound foi novamente vendida, agora para o grupo FlixMobility, da Alemanha (dona da FlixBus), por US$ 78 milhões de dólares, dando uma guinada no modelo de negócios da companhia, incluindo a venda de praticamente todos os antigos terminais da Greyhound, por US$ 140 milhões, e realocando centenas de ônibus.
Não dá para negar que a Greyhound não é apenas uma empresa de ônibus, mas também um ícone americano, parte da história do país e na vida de milhões de pessoas que passaram por suas poltronas, pelas estradas do Tio Sam.
